Na Bola de Cristal
Recado do Além

Carolina, minha filha, morreu de acidente de carro há dois anos. Deixou marido e três lindas crianças. Moça inteligente e cheia de vida.
Meu marido e eu ficamos muito chocados com a sua morte. Ela morava no sul do país e era professora. No primeiro momento, a gente não acredita na perda. Parece um pesadelo!Tenho mais dois filhos, mas ela era minha única filha. Fazia dois meses que não a via, mas nos comunicávamos por telefone quase diariamente.
A morte súbita da Carolina aos 34 anos de idade, mudou profundamente minha maneira de encarar a vida e a morte. No princípio, fiquei muito revoltada. Por que Carolina? Tudo por causa de um motorista bêbado que atravessou a pista e se chocou com o carro da minha filha. As crianças estavam sentadas atrás, mas saíram ilesas, com apenas algumas escoriações.
Parei de rezar. Rezar para que? Era uma punição a morte da minha única filha? Deixar três crianças sem mãe? Por que? Meu marido conformou-se, mas eu não.
Passei dois anos da minha vida ajudando meu genro a criar meus netos. Só conseguia dormir à base de calmantes. Um dia, encontrei uma velha amiga no supermercado. Ela era muito problemática, mas a achei bem disposta naquela tarde. Seus olhos estavam brilhantes. Contei sobre a morte da Carolina. Ficou surpresa. Pensou por alguns segundos e me disse com voz calma:
_ Tereza, sua filha não morreu! A missão dela nesse plano acabou. No entanto, continua viva e olha por seus filhos.
Olhei para ela com ar irônico. Como ela podia falar uma coisa dessas? Minha filha viva? Eu enterrara minha filha há dois anos.
No entanto, minha amiga Beatriz continuou falando, enquanto eu ouvia sem muito interesse.
_ Por que não vai a uma sessão espírita, Tereza? Se você quiser podemos ir ao centro espírita que eu freqüento. Há um médium de psicografia. Um dia, poderá receber uma mensagem da Carolina. - ela perguntou entusiasmada.
Dei de ombros. Já ouvira falar em Chico Xavier. As pessoas diziam que ele psicografava mensagens de pessoas falecidas com detalhes e tudo o mais. Eu queria acreditar nessas coisas, mas não conseguia.
No entanto, a vontade de receber notícias de minha filha me levou ao centro espírita. Freqüentei a casa espírita durante seis longos meses. Ouvi palestras e tomei água fluida, mas nunca recebi uma mensagem sequer. A revolta amenizou aos poucos. Eu me sentia quase em paz. Dormia melhor. Os passes magnéticos eram relaxantes.
Naquela noite de quinta-feira, resolvi faltar à sessão espírita. Chovia muito e não estava muito disposta. Meu marido quis ficar em casa. Minha amiga me telefonou e insistiu muito que eu fosse. Relutei e fui a contra gosto. Estava cansada e desanimada.
Cheguei ao Centro Espírita e me ajeitei na cadeira. Um pensamento martelava na minha cabeça: "Somente ilusões. Minha filha morreu mesmo! "
Quando acabou a sessão, o médium, um senhor baixo e franzino me entregou duas folhas de papel. Meu coração disparou. Ele me perguntou se eu tinha uma filha de nome Carolina. Afirmei que sim. Peguei o papel e fui correndo para casa. Chamei o meu marido e li avidamente a mensagem psicografada. Não era exatamente a letra da minha filha, mas fiquei muito emocionada. Carolina me dizia:
"Querida mamãe Tereza, querido papai Alfredo,
Estou bem, quase recuperada e trabalhando muito. Saiba que não sofri durante o momento da minha morte. Espíritos amigos estavam lá e me socorreram. Não fiquei revoltada, mas me preocupei com o Luiz, Maria e a Alice. Meus filhos eram pequenos e precisavam de mim. Aos poucos, o véu do passado se descortinou e fiquei sabendo o motivo do desencarne súbito. Tudo tem uma razão de ser!
Mamãe Tetê, estou viva e a amo muito! Pai, continue a ajudar a mamãe! Fico feliz em saber que o Luiz, meu filho mais velho, recebeu um prêmio na escola. Sei que minhas bonequinhas Maria e Alice estão bem. Meu esposo João se encontra mais animado. A vida segue traçando novos rumos. Por favor, mamãe, está na hora de para de chorar! Por que não, ajudar as pessoas que choram porque não tem o que comer, o que vestir e onde morar? Ajude os outros! Seja feliz, mãe! Pai, um beijo grande! Um grande beijo para meus filhos.
da sua Carol"
Era minha filha! Aquele médium nada sabia a meu respeito. Não comentei com ninguém daquela casa espírita sobre a morte da minha filha. Como ele iria saber que Carol chamava minhas netas de "bonequinhas"? E sobre o prêmio na escola? Não moro na capital, mas a cidade em que resido é muito grande. Carolina morava no Rio Grande do Sul e fazia dez anos que estava lá.
Agora, estou lendo sobre Espiritismo e ajudando a casa espírita com meu trabalho voluntário.. A morte não existe!
Se você perdeu alguém e está aflito por uma mensagem psicografada, tenha paciência! No momento exato, a pessoa querida achará uma forma de se comunicar! Pode ser por psicografia ou até através de um sonho bonito. Aqueles sonhos que a gente têm certeza de que reencontrou em espírito a pessoa amada ou o parente. A gente se lembra de que conversou com a pessoa amada, enfim, um sonho cheio de detalhes. Tenha fé na vida eterna! Essa é a minha mensagem para os internautas.
É preciso acreditar em algo superior para superar a dor da perda. A saudade é muito forte! No entanto, quando se acredita que a morte é o fim de tudo, o sofrimento é muito pior! A vida fica sem sentido! Tenho saudades da Carolina, mas é uma saudade amenizada pela confiança em Jesus! Uma esperança de que a separação não será eterna!
Tereza
Queridos internautas, essa história verdadeira é um recado do Além! Consolo para aqueles que perderam pessoas amadas. O que é um médium de psicografia? É um médium que escreve por intermédio dos espíritos. Alguns são mecânicos( o espírito domina totalmente a mão do médium. Dessa forma, o texto da mensagem não passa pelo cérebro do médium) O médium Chico Xavier possuía mediunidade de psicografia mecânica. Esse tipo de mediunidade é muito raro. Geralmente, a letra é muito parecida com a da pessoa falecida e os detalhes minuciosos. O médium não tem a menor consciência do que escreve.
Alguns médiuns de psicografia são intuitivos. O Espírito comunicante não toma a mão do médium, mas atua sobre seu espírito. O médium tem consciência do que escreve, embora não exprima suas próprias idéias.
Médiuns semimecânicos são aqueles que o movimento da mão independe da vontade; no intuitivo é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente impulsos na mão e também tem consciência do que escreve. No entanto,sabe que a idéia não é sua.
Frases sublinhadas: Livro dos Médiuns, pág. 183- Edição especial- Allan Kardec.
Muitos beijos da